As ferramentas de gestão aplicáveis ao mercado de planos de saúde serão o foco do último painel do XII Congresso Nacional das Operadoras Filantrópicas, no dia 22 de junho. Segundo os diretores do IAG Saúde, Renato Camargo Couto; e da Solo Consultores, Sergio Lopes, o objetivo é organizar estratégias e possibilitar a mensuração e controle dos resultados, oferecendo metodologias capazes de construir um modelo gerencial que garanta a sustentabilidade da organização. Nesse cenário, o processo de qualificação do mercado de Saúde Suplementar passa não apenas pela gestão das operadoras, mas também atinge toda a cadeia produtiva, incluindo os prestadores de serviços, como os hospitais, agregando valor ao produto e serviço entregues aos clientes. Ambos especialistas dividirão a mesa “Ferramentas de gestão”, a partir das 14h, com o CEO do Grupo São Cristóvão, Valdir Pereira Ventura.

Em entrevista à CMB/Rede Saúde Filantrópica, os especialistas afirmaram que é preciso definir o modelo de negócio, envolvendo missão, visão, valores, objetivos estratégicos e macroestratégias, que poderão estruturar, posteriormente, o modelo de gestão e escolher as melhores ferramentas. Para Renato Couto, é recomendável ainda que sejam utilizados modelos gerenciais cientificamente desenvolvidos e validados, isto é, que possuam uma certificação, diminuindo, assim, o “risco da invenção”.

A motivação das operadoras em buscar a melhoria de qualidade está, principalmente, na intenção de atuar de forma mais estruturada, transparente e efetiva possível, para atingir dos resultados. Segundo Sergio Lopes, da Solo Consultores, as operadoras precisam ter consciência sobre a qualidade dos resultados atuais face às expectativas dos stakeholders.

O processo de acreditação das operadoras, por exemplo, pode ser uma forma de estruturar a gestão, profissionalizando e recebendo o reconhecimento de seus padrões de qualidade, podendo, ainda, segundo Renato Couto, determinar aumento do lucro da operadora. Esse processo vai refletir, ainda, na atuação de toda a rede de relacionamentos que compõe o setor Saúde. Conforme explica Sergio Lopes, os hospitais, por exemplo, também estão num ritmo bastante intenso de profissionalização, com a implantação de modelos e ferramentas de gestão modernas.

Couto complementa que os hospitais são fundamentais nesse processo de qualificação do mercado, pois “entregam aos clientes a etapa mais complexa do produto vendido, além de consumir parte relevante dos recursos destas operadoras (30 a 49% do custo assistencial)”. Ele ressalta, ainda, que não é necessário apenas melhorar a relação, mas também criar um sistema assistencial integrado entre a rede ambulatorial e os hospitais, além de qualificar esta rede para a entrega de assistência de excelência. “Nos EUA, as complicações assistenciais hospitalares são a terceira causa de morte e consomem 30% dos recursos. Um estudo conduzido pelo IAG Saúde, a partir do convênio entre UFMG e IESS, avaliou o impacto dos eventos adversos hospitalares na saúde suplementar brasileira, e concluiu que: as complicações assistenciais custam de R$ 5,19 bilhões a R$ 15,57 bilhões por anos à saúde suplementar; e de 52.299 a 178.293 usuários da saúde suplementar perdem a vida por ano no Brasil em consequência destas complicações. A rede hospitalar desqualificada tem elevadas decorrências para todos”.

A atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), nesse sentido, é vista de maneira positiva, uma vez que tem sido um importante indutor da qualificação das operadoras, contribuindo para a sustentabilidade do sistema.