O ortopedista Luiz Antônio Teixeira Júnior (na foto, ao lado de Pezão), atual secretário de Estado de Saúde do Rio, foi indicado para a diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). É para a vaga aberta, mês passado, com o fim do mandato do então presidente José Carlos de Souza Abrahão. A indicação é feita pelo Ministério da Saúde, e o indicado precisa passar por uma sabatina no Senado. No total, o processo dura de três semanas a dois meses.

Atualmente, das cinco diretorias da agências, duas estão vagas. A de Gestão, que era ocupada por Abrahão, e a de Desenvolvimento Setorial, comandada por Marta Oliveira até 11 de maio passado, quando ela renunciou.

Além dele, o Ministério da Saúde indicou para a diretoria da ANS o servidor Rodrigo Aguiar, funcionário de carreira da ANS e que, atualmente, ocupa a diretoria-adjunta de Fiscalização da agência.

Dos atuais três diretores, apenas uma é funcionária de carreira da ANS: Simone Freire, de Fiscalização.

O atual presidente Leandro Fonseca, também diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, é funcionário do Ministério da Fazenda.

Karla Coelho, atual diretora de Produtos, é servidora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Um mistério ronda a ANS
Não se sabe se a indicação de Rodrigo Aguiar é para um mandato-tampão, apenas para cumprir o tempo que restava à ex-diretora Marta Oliveira, ou para iniciar um mandato inteiro, de três anos. O de Marta, que reunciou mês passado, terminaria em agosto agora.

Tudo isso porque é grande a pressão da operadoras de planos de saúde sobre as indicações. A ANS, como se sabe, fiscaliza os planos. E os funcionários de carreira da agência são vistos como, digamos, mais independentes.

Segundo a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde, esta decisão - sobre a duração do mandato - cabe à Casa Civil da Presidência, comandada pelo ministro Eliseu Padilha (um dos ministros de Temer investigado na Lava-Jato).

O secretário de Pezão
Luiz Antônio assumiu a Secretaria de Estado de Saúde do Rio em dezembro de 2015, após a saída de Felipe Peixoto, quando o sistema de saúde vivia uma de suas priores crises. Antes, ele era secretário municipal de Saúde em Nova Iguaçu, na gestão Nelson Bornier.

Na secretaria estadual, Luiz Antônio foi responsável por negociar e reduzir os valores dos contratos com as Organizações Sociais que administram unidades estaduais.

Em agosto de 2016, por exemplo, a secretaria decidiu acabar com o convênio do Centro Estadual de Transplantes (CET), que funcionava no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca. Com isso, a unidade passou a fazer os procedimentos pelo SUS, sem recorrer aos recursos estaduais. O serviço custava R$ 78 milhões por ano ao combalido cofre do Estado do Rio.

Fonte: O Globo - Blog Emergência - Daniel Brunet